A maternidade nas plantações escravagistas constitui um revelador das violências sistémicas do sistema colonial. As mulheres escravizadas sofriam uma dupla exploração: produtiva nos campos, sexual e reprodutiva na habitação. As separações familiares impostas pelos senhores quebravam os laços mãe-filho desde a mais tenra idade, enquanto os violos e as gravidezes forçadas negavam toda a autonomia corporal e afetiva. Esta realidade revela como o sistema escravagista desumanizava as mulheres ao negar o seu estatuto de mãe e ao instrumentalizar a sua capacidade reprodutiva. Abordar esta temática permite compreender os traumas intergeracionais e as resistências quotidianas que estas mulheres desenvolviam para preservar, apesar desta violência, uma forma de dignidade e de transmissão familiar. Com Domitille de Gavriloff, doutora na EHESS e laureada pela Chancelaria das universidades de Paris 2025 e pelo prémio de tese da Fundação para a memória da escravatura. Por Les Anneaux de la Mémoire, em parceria com NOLA xo NALA. Conferência proposta no âmbito da exposição « Maternidades, arqueologia da figura materna » de 10 de abril de 2026 a 10 de janeiro de 2027 no Chronographe
Fonte: Nantes Métropole
