Robert Wilson guia uma companhia internacional pelas margens oníricas da poesia de Fernando Pessoa.
Robert Wilson guia uma companhia internacional pelas margens oníricas da poesia de Fernando Pessoa. Um céu azul e sóis vermelhos. Ciprestes negros e um pequeno barco branco. Sombras de silhuetas e animais quiméricos. Uma frase em inglês: « I know not what tomorrow will bring. » E aquele homenzinho de fato, com os seus óculos, o seu bigode e o seu chapéu, sentado na beira do palco: Fernando Pessoa tal como nos seus múltiplos heterónimos, – os seus outros eus. Olha-nos, a partir do longínquo da vida que observa passar, como à beira de um rio onde a beleza inquieta nasce do infinito do instante. Robert Wilson é o mestre desse instante, que aborda como pintor das sensações. A infância e a morte, o sonho e a vigília entrelaçam-se no seu opus malicioso e secreto, que alia as ondas das línguas ao silêncio, o music-hall à poesia, a sombra à luz. Recorda-nos que « muitos são os que vivem em nós. » Brigitte Salino
Fonte: paris.fr — photo: LUCIE JANSCH
