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Ao associar-se ao FIPADOC, festival de referência do cinema documental, o Théâtre de la Concorde deseja prolongar esta convicção: compreender em conjunto, escutar narrativas que abalam, abrir espaços onde a imagem se torna matéria de debate cidadão. Como podem estes filmes, nascidos em contextos diferentes, ajudar-nos a desdobrar as nossas próprias formas de habitar a sociedade e a questionar as forças que nos atravessam?
De janeiro a maio de 2026, seis projeções excecionais tecerão um percurso através do real. Cada sessão articula-se em torno de uma temática mensal do Théâtre de la Concorde: o abuso de poder, a ignorância em democracia, os esquecidos, as nossas heranças, os nossos bens comuns e as nossas identidades. São outras tantas portas de entrada para olhar de forma diferente para narrativas de resistências silenciosas, lutas coletivas, colapsos e renascimentos. Através da história de Marish na Hungria (A Woman Captured), o filme interroga o domínio e a possibilidade de reconquistar a liberdade. Com La Cravate, observa-se por dentro a construção política e a cegueira democrática. Un village en résistance conta como uma aldeia italiana inventou para si um futuro solidário perante a hostilidade do poder. Yintah acompanha a luta de um povo indígena pelas suas terras e pela sua soberania, enquanto La ferme à Gégé recorda até que ponto os nossos bens comuns assentam em gestos humildes e tenazes. Por fim, Coming Out reúne fragmentos de vídeo íntimos onde vemos nascer, por vezes com suavidade, por vezes em rutura, a afirmação de uma identidade. Este ciclo é pensado como uma viagem: um passo ao lado para perceber o que está em jogo à escala humana, e um convite a discutir coletivamente as imagens que nos iluminam. Cada projeção inscreve-se no diálogo mensal entre arte e sociedade que dá singularidade ao Théâtre de la Concorde. Programa 20 de janeiro « O abuso de poder »: A WOMAN CAPTURED Na Hungria, Marish está retida em cativeiro por uma família há 10 anos, forçada a trabalhar sem remuneração. É uma das 45 milhões de pessoas no mundo vítimas de escravatura moderna. Ganhando coragem com a presença da realizadora, decide escapar à opressão e recuperar a liberdade. 3 de fevereiro « A ignorância em democracia »: LA CRAVATE Bastien tem 20 anos e milita há cinco anos no principal partido de extrema-direita. Quando começa a campanha presidencial, é convidado pelo seu superior a envolver-se mais. Iniciado na arte de vestir o fato de político, surpreende-se a sonhar com uma carreira, mas velhos demónios ressurgem e ameaçam quebrar a sua ambição. 17 de março « Os esquecidos da democracia »: UN VILLAGE EN RÉSISTANCE Riace, na Calábria, era uma aldeia moribunda. O acolhimento de migrantes ressuscitou uma vida económica e social durante vinte anos. Uma harmonia quebrada pela vaga populista que corrói a Itália. Domenico Lucano, o presidente da câmara, é alvo de uma cabala e forçado ao exílio. Após meses de uma destruição minuciosa, Riace enfrenta um dilema: resistir ou desaparecer. 14 de abril « As nossas heranças »: Yintah Yintah, que significa « terra » na língua da primeira nação wet’suwet’en, documenta a luta de um povo pela sua soberania no Canadá. Howilhkat Freda Huson e Sleydo’ Molly Wickham lutam há mais de dez anos para que a sua comunidade volte a ocupar e proteja as suas terras ancestrais da ganância de grandes empresas de gás e petróleo. 12 de maio « Os nossos bens comuns »: La ferme à Gégé « Gégé » vive há 3 gerações como rendeiro no bocage normando. Nos anos 90, endividado, transforma a sua exploração agrícola num lugar único de acolhimento para crianças. Mas, sem sucessor e ameaçada de expulsão, a quinta corre o risco de desaparecer e, com ela, um olhar tão particular sobre o mundo. 10 de junho « As nossas identidades »: Coming out Através de uma montagem de vídeos publicados na web, o filme faz-nos viver de muito perto esse momento de viragem íntima e social que é o coming out.
Fonte: paris.fr — foto: Théâtre de la Concorde
