Os quadros coloridos e alegres de Auguste Renoir, a sua iconografia das guinguettes e dos bailes públicos, fizeram dele um «pintor da felicidade». Esta reputação levou por vezes a que fosse marginalizado entre os grandes pintores da modernidade, sob o pretexto de que esta não poderia ser senão melancólica ou irónica, desiludida ou desencantada. No entanto, a sua obra propõe uma reflexão original sobre a modernidade, colocada sob o signo do amor, entendido simultaneamente como força que rege as relações humanas e como sentimento que guia o olhar do artista sobre os seus modelos, sobre o mundo e sobre a própria pintura.
«Sei bem que é difícil fazer admitir que uma pintura possa ser grande pintura mantendo-se alegre» (Auguste Renoir). Por ocasião do centésimo quinquagésimo aniversário do Baile no Moulin de la Galette (1876), obra-prima das coleções do Museu d'Orsay, esta exposição reúne pela primeira vez este corpus maior das «cenas da vida moderna» — quadros com várias figuras representando temas contemporâneos (distintos de retratos e paisagens) — realizados por Renoir durante os primeiros vinte anos da sua carreira (1865-1885). Durante este período, participa na invenção coletiva de uma «Nova Pintura» ao lado de Manet, Monet, Morisot, Degas ou Caillebotte. Distinque-se, contudo, pelo seu sentido singular de empatia e pela sua capacidade de espanto, escolhendo apenas temas felizes e valorizando sempre os seus modelos. Este olhar «amoroso» manifesta-se através de um gosto pronunciado pelos laços — nos seus motivos (conversas, refeições, dança...) como na sua maneira de pintar, atenta a tudo o que pode contribuir para um sentimento de unidade (gestos das personagens, luz envolvente, equilíbrio das cores, pinceladas fluidas e esboçadas que fundem os objetos uns nos outros). A exposição destaca também a predileção de Renoir pela representação do jovem casal, mas procura desconstruir uma ideia preconcebida de que a sua pintura seria «sentimental». Pelo contrário, evita a expressão demasiado direta das emoções, a narrativa romanesca, tanto quanto as encenações eróticas. Admirador dos pintores franceses do século XVIII (Watteau, Boucher, Fragonard), Renoir faz renascer uma atmosfera de «festas galantes» e promove uma forma de liberdade de costumes e de igualdade entre os sexos no Paris do final do Segundo Império e dos inícios da IIIª República. Esta escolha deve ser compreendida à luz da biografia do artista, que então leva uma «vida de boémia» marcada por relações consideradas na época como «ilegítimas», e inserida no contexto do século XIX marcado pelo casamento e pelas normas burguesas, pela moral religiosa, pelo lugar importante da prostituição e por fortes desigualdades entre homens e mulheres. Neste quadro, os grandes formatos de Renoir dedicados ao casal feliz, à «camaradagem» (segundo a palavra do seu amigo Rivière) e à convivialidade, aparecem como tantos manifestos contra a violência das relações entre os sexos, os antagonismos de classe e a crescente solidão da vida urbana. Coorganizada com a National Gallery de Londres e o Museum of Fine Arts de Boston, esta exposição oferece um olhar renovado sobre quadros tão célebres que se tornou difícil perceber hoje toda a sua novidade. Pela primeira vez desde 1985 — data da última retrospectiva Renoir organizada em Paris — uma exposição reúne um conjunto restrito mas significativo de obras (cerca de cinquenta pinturas) da primeira parte da carreira do artista, entre as quais as suas maiores obras-primas: de La Grenouillère (1869, Estocolmo, Nationalmuseum) aos Guarda-Chuvas (1881-1885, Londres, The National Gallery), passando por O Passeio (1870, Los Angeles, The J. Paul Getty Museum), A Dança em Bougival (1883, Boston, Museum of Fine Arts) e O Almoço dos Remadores (1880-1881), excepcionalmente emprestado pela Phillips Collection de Washington.
Preço: De 0 a 16 euros.
Fonte: paris.fr — foto: Imagem cortesia do J. Paul Getty Museum
