Conferência por Antoine Rivière, historiador, professor auxiliar na universidade Paris 8 e membro do Institut d’histoire du temps présent, em associação com a France généalogique - CEGF.
Na Paris da Terceira República, entre 2 000 e 5 000 crianças eram abandonadas todos os anos à guarda da Assistance publique. Na grande maioria dos casos, os pais que assim se separavam da sua prole eram jovens mulheres solteiras. Pobres, abandonadas pelo pai do seu filho, preocupadas em esconder a sua « má conduta » dos pais ou intimadas por estes a reparar a « desonra » que a sua maternidade fora do casamento infligia à família, aquelas a quem a época chamava mães solteiras são as figuras emblemáticas do abandono, ao qual eram forçadas pela miséria e pelo opróbrio. Quanto às crianças, tornadas pupilas da Assistance, eram enviadas para o campo, para junto de pais de criação, camponeses modestos remunerados pela administração, com quem cresciam, destinados ao trabalho da terra, sem nunca saberem nada nem da identidade da sua mãe biológica nem das razões do seu abandono. Esta conferência propõe-se reconstituir esta história, cujos ecos ainda hoje são fortes, transmitidos pelos descendentes das pupilas da Assistance – filhos, netos, bisnetos – que são cada vez mais numerosos a procurar as suas origens nos arquivos do abandono.
Preço: Conferências gratuitas, abertas a todos sem reserva, até ao limite dos 90 lugares disponíveis.
Fonte: paris.fr — foto: @Archives de Paris
