O Museu de Arte Moderna de Paris apresenta, pela primeira vez num museu francês, uma exposição dedicada a três artistas estónias cuja obra se estende desde meados do século XX até aos dias de hoje: Olga Terri (1916 – 2011), Anu Põder (1947 – 2013) e Kris Lemsalu (nascida em 1985).
A exposição destaca a riqueza e a vitalidade da cena artística estónia através do olhar destas três artistas de gerações diferentes. Cada uma delas reflete, à sua maneira, um momento da criação neste país com uma história tão fascinante quanto conturbada. Marcada pela tensão entre as esferas de influência europeia e russa, a Estónia soube preservar uma cultura original, exuberante e dinâmica, da qual derivam as obras apresentadas. O tratamento do corpo humano atua como fio condutor entre as obras das três criadoras: um corpo ora abandonado, fragmentado, aumentado, transformado, exuberante ou combativo. Anu Põder, artista central da exposição (1947 – 2013) Anu Põder faz parte das grandes redescobertas da história da arte nos últimos anos. Através de cerca de quinze obras, a exposição desvenda o universo singular desta artista, cuja prática se desenvolveu ao largo dos constrangimentos académicos da sua época. Os materiais utilizados por Anu Põder traduzem a precariedade da sua condição durante a era soviética, tanto quanto revelam os bouleversements da sociedade estónia aquando da independência do país (estopa, plástico, sabão, papel de alumínio…). O corpo da artista está frequentemente presente de forma implícita nas suas esculturas vulneráveis e frágeis, que recusam limitar-se às formas tradicionais de figuratividade. Olga Terri, a pintura do pós-guerra (1916 – 2011) Uma sala reúne uma série de retratos realizados entre 1945 e 1950 por Olga Terri. Estes testemunham as angústias pessoais e coletivas sofridas durante este período imediato do pós-guerra, quando a ocupação nazi deu lugar à ocupação soviética. Um sentimento melancólico emana das suas personagens mudas, pintadas em cores sombrias, cujas posições relaxadas exprimem um vacilamento iminente. Kris Lemsalu, uma visão contemporânea (nascida em 1985) A exposição termina com a apresentação de uma instalação monumental e de novas produções da artista plástica e performer contemporânea Kris Lemsalu, concebidas especificamente para esta exposição. A artista imagina um universo extravagante e burlesco povoado por seres híbridos entre humanos e não-humanos, encarnando uma leitura contemporânea do panteísmo estónio, bem como uma visão satírica da sociedade atual.
Fonte: paris.fr — foto: Musée d'Art Moderne de Paris
