Um grupo de estudantes foi convidado a escolher um manuscrito entre as coleções da bibliothèque Sainte-Geneviève relacionado com a noção de maravilha estudada nas aulas. Em pequenos grupos, redigiram as legendas explicativas e realizaram criações em suportes variados ligadas aos manuscritos escolhidos.
Por iniciativa de Antoine Boustany, conservador no departamento da Réserve, duas vitrinas foram concebidas por um grupo de estudantes do L3 da « Licence Lettres » da Université Paris Cité no âmbito da unidade curricular « Littérature, art et cultures médiévales », lecionada por Amandine Mussou. Os estudantes foram convidados a escolher um manuscrito entre as coleções da bibliothèque Sainte-Geneviève relacionado com a noção de maravilha estudada nas aulas. Em pequenos grupos, redigiram as legendas explicativas e realizaram criações em suportes variados ligadas aos manuscritos escolhidos. Na cultura medieval, o substantivo maravilha tem usos tanto na linguagem religiosa como na linguagem profana: designa « o prodígio », « o milagre », « aquilo que suscita espanto », em ligação com o seu étimo mirabilia, derivado do verbo miror, que comporta dois semas complementares: o olhar e o espanto. Os manuscritos expostos, realizados em épocas diferentes e copiados em diversas línguas, põem em evidência certos aspetos da relação dos homens e das mulheres da Idade Média ocidental com a maravilha e da sua inscrição, enquanto objeto de saberes e de transmissão, nos livros, a par de realia bem atestadas. Encontrar-se-á assim nestas vitrinas um grifo frente a um abutre num bestiário grego, povos estranhos representados numa coletânea de textos eruditos, a destinatária de um livro de horas ao lado da Virgem numa mesma imagem, o episódio bíblico da sarça ardente, bem como um manual de exorcismo que permite libertar as vítimas de demónios.
Fonte: paris.fr — fotografia: Bibliothèque Sainte-Geneviève
