Chorégraphie d'État desconstrói os gestos das forças policiais e das patrulhas fronteiriças para revelar a dramaturgia da violência perpetrada pelo Estado. Esta instalação-performance multimédia expõe a militarização da formação policial, moldada pela vigilância racializada, pela exclusão espacial e pela neutralização da resistência.
Coreógrafas com práticas diversas, oriundas de todo o mundo, são convidadas a criar notações coreográficas como provas destas estruturas de poder. Inspirada nos movimentos de protesto, a instalação apresenta vídeos de partituras coreográficas de resistência, concebidas para serem ativadas por intérpretes e incorporadas pelo público, numa celebração da autodefesa. Em Chorégraphie d'État, Tania El Khoury aborda a coreografia como uma forma de análise que lhe permite revelar um padrão: aquilo que é entendido como um conjunto de casos isolados e acidentais de violência perpetrada pelo Estado é, na realidade, conceptualizado e repetido segundo uma dramaturgia calculada. Para tal, a artista reúne as diferentes formas através das quais a coreografia é registada e arquivada — textos descritivos ou poéticos, desenhos esquemáticos, sistemas de análise do movimento, vídeo — e utiliza-as para anotar episódios de violência estatal. No espaço da instalação, a apresentação e a divulgação destes elementos coexistem com a performance, colocando o público na posição de testemunha, em estado de vigilância. Este projeto é o novo capítulo de uma obra que, há mais de dez anos, explora a interatividade com o público e torna visíveis os abusos de poder que moldam a nossa vida quotidiana e política. Tania El Khoury abordou, assim, a violência de género em Maybe If You Choreograph Me, You Will Feel Better (2011) e a instrumentalização política da rede elétrica libanesa em The Search for Power (2018). Para Chorégraphie d'État, inspira-se sobretudo nos movimentos de protesto em espaços públicos e nas táticas de autodefesa. Ao longo das suas ativações em diferentes cidades e países, o projeto é adaptado — em colaboração com bailarinas — para criar uma memória coletiva da violência estatal e da resistência que lhe é oposta, através da linguagem do movimento. Vincent Théval Duração: 1 h Categoria: - Estreia mundial - Saison Méditerranée 2026 - Dança
Preço: De 10 a 25 euros.
Fonte: paris.fr — fotografia: Tania El Khoury
