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EventsCulturalGalerie du Haut Pavé: Homenagem a Vincent GUIRO
Galerie du Haut Pavé: Homenagem a Vincent GUIRO
jun.
16
12:30
CulturalParisGrátis

Galerie du Haut Pavé: Homenagem a Vincent GUIRO

Os corpos que Vincent Guiro pinta, desenha ou esculpe não surgem, irrompem!

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· Galerie du Haut Pavé · Galerie du Haut Pavé, 3 quai Montebello, Paris · Paris

À propos

⚠️ A data apresentada no topo deste evento vem da fonte oficial. A descrição original menciona outras datas que poderão estar desatualizadas.

Os corpos que Vincent Guiro pinta, desenha ou esculpe não surgem, irrompem!

Uma aparição ergue-se para o alto, convida a uma sublimação que tende a apagar a matéria, a sua matéria, ao passo que a irrupção vem ao nosso encontro e invade com a precisão do seu gesto, da sua massa. É uma questão de tratamento de volumes, de equilíbrio entre volumes em cada desenho, pintura ou escultura, que procura significar uma postura, ou um movimento em si ou de si, mas dizê-lo não basta… A questão é mais complexa e desenrola-se entre a folha de papel, nos grandes desenhos de corpos nus, por exemplo, onde um traço vigoroso de lápis demarca com força uma zona, um espaço próprio que uma matéria suplementar, o carvão, vai preencher por sucessivos ressaltos, por zonas de carne que se acumulam e criam o efeito desse impulso para fora da folha. Essa irrupção deixa então de ser simplesmente uma superfície visual plana; torna-se sensível e afetiva: não é um efeito de claro-escuro, Guiro não trata os volumes por simetrias ou oposições de sombra e luz; concentra uma matéria da qual faz uma massa pura, que elabora numa homogeneidade sem quase nada retirar ou acrescentar. Esse impulso é tão violento, por vezes sustentado ou acelerado por humildes jogos de sombra projetada, que só vemos, só sentimos isso: não se pode dizer que se trate de um corpo de mulher, de várias mulheres — embora isso seja evidente —, é mais modestamente uma história de contornos do corpo, um corpo que já não pertence apenas à visão de Guiro, mas à sua mão, como se, em vez de desenhar, de espalhar as massas de carvão, ele não parasse de acariciar o seu volume, de o fazer extrair-se da folha, de o fixar no momento exato em que a sua irrupção termina. Isto parece ainda mais claro nos tratamentos a aguarela: o traço de lápis delimita a expectativa do espaço, a sua configuração potencial ou virtual; depois, a cor dá-lhe a sua propulsão carnal, o grão da sua expressão sensível, a sua capacidade plástica, a sua flexibilidade visual, a sua força poética. É preciso tentar, sem fechar os olhos, apreender estas imagens com as mãos, com a sensibilidade tátil que é a sua e que lhes confere uma força exterior à pura visibilidade; é preciso tentar olhar por contactos, tal como ele cria por toques dos dedos, da mão. Excerto de: Jean-Paul MANGANARO, Confusion de genres, Paris, P.O.L., 2011, p. 587-588 https://vincentguiro.com/ https://www.instagram.com/ateliervincentguiro/ Sobre o Artista: Jacques Guiraud nasce em Nîmes a 4 de abril de 1935. Órfão de pai aos sete anos, é enviado para um internato em Lyon: passa o tempo da guerra na manécanterie de Notre Dame de Fourvière. Ficará marcado por esses anos de formação, em que a exigência do canto coral clássico forjará o seu carácter. Destinado a assumir a loja familiar de calçado, emancipa-se muito cedo dessa filiação, rejeita os estudos comerciais e ingressa na escola de Beaux-Arts de Grenoble. No atelier de Dubreuil, aluno de Matisse, os colegas passam a chamá-lo Vincent, o seu terceiro nome, em referência a Van Gogh. Nesse mesmo ano, escolhe o seu nome artístico: Vincent GUIRO. Em 1964, é nomeado professor nas Beaux-Arts de Grenoble. Depois vai para Paris e estuda gravura no Atelier Lacourière. Aí convive com Miro, Music e Picasso. Expõe pela primeira vez em 1968 na Galerie du Haut Pavé, criada pelo dominicano Gilles Vallée. A vocação deste lugar era dar visibilidade ao trabalho de jovens artistas franceses e estrangeiros. Para Vincent Guiro, é uma abertura a diferentes culturas e tendências artísticas. Aí estabelece laços com Aguiar, Béchet, Kozo e Panchal. Em maio de 68, participa no movimento social, manifesta-se e partilha as suas reflexões com Mannessier, Singier e Le Moal. Profundamente humanista, militante da arte para todos, tem paixão pela troca de ideias, mas mantém-se sempre à distância das modas e das correntes artísticas. Radical, permanece fiel à sua singularidade. Prosseguindo pesquisas sobre a integração da Arte na arquitetura, desenvolve o processo “gravo-sable” sobre betão. Na esteira de Carl Nesjar, realiza obras monumentais em la Défense e em várias cidades de France e Italie. Expõe a sua teoria do « Beau-Béton » na escola de Arts et Métiers, onde é conferencista. Ao longo das décadas seguintes, Vincent Guiro desenvolve e expande a sua criação, alternando obras de Arte Monumental, Escultura e Pintura. Expõe o seu trabalho em France e no estrangeiro, mantendo-se fiel à Galerie du Haut Pavé.

Fonte: paris.fr — foto: @Vincent GUIRO

Lieu

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