Graças a uma colaboração excecional com o Museu Nacional de Gyeongju e outras instituições museológicas sul-coreanas e francesas, o museu Guimet apresenta, pela primeira vez na Europa, uma exposição sobre o reino de Silla (57 a.C.–935 d.C.), uma das civilizações mais brilhantes da Ásia Oriental.
Reveladas pelas crónicas históricas e, posteriormente, pelas escavações arqueológicas, as artes de Silla apresentam-se hoje como um património vivo, no coração da memória cultural da península coreana. Esta apresentação inédita destaca um reino onde, durante quase um milénio, a arte, a espiritualidade e o poder se conjugaram para moldar uma cultura de extraordinária riqueza. Das origens míticas de Silla, narradas pelas crónicas coreanas medievais, à queda do reino, a exposição desenvolve-se em cinco secções temáticas que percorrem a história, as expressões artísticas e a memória de um Estado simultaneamente poderoso e profundamente enraizado em tradições espirituais. Propõe uma nova leitura desta civilização, revelando a forma como as dinâmicas políticas, religiosas e estéticas se entrelaçaram para produzir um legado que chegou até aos nossos dias. Transportados até às origens da cidade-paisagem de Gyeongju, no sudeste da Coreia, os visitantes descobrirão os vestígios de uma civilização cuja marca ainda permanece nas montanhas, nos imensos «túmulos-montanha», nos templos e na vida moderna. Uma cidade cujos habitantes estão plenamente empenhados na proteção do seu património. Do século IV ao início do século VI, o chamado período maripgan assinala uma etapa decisiva na afirmação da identidade de Silla, com a ascensão do clã Kim. O ouro torna-se a assinatura resplandecente do reino, símbolo de um poder consolidado. Os tesouros exumados dos túmulos reais (coroas de ouro, adornos de jade, joias trabalhadas e peças figurativas de grés) testemunham um saber-fazer excecional e a presença do reino nas rotas comerciais que ligavam o Japão, a China, a estepe, a Ásia Central e até os mundos mediterrânicos. O prestígio político e o esplendor artístico confundem-se, dando origem a uma linguagem visual de excecional criatividade. Durante o período de Silla unificado (676–935), o reino afirma-se como a potência dominante do sul, tendo o budismo como força espiritual e protetora do território. Os materiais preciosos, outrora reservados aos túmulos reais, passam a ocupar um lugar nos mosteiros, pagodes, relicários e imagens sagradas. Os tesouros de ferro, ouro, prata, vidro e pedra de Silla constituem um património vivo, ainda percetível tanto na paisagem de Gyeongju como na memória coletiva. A exposição reúne um conjunto excecional de peças emblemáticas, entre as quais se encontram numerosos tesouros nacionais apresentados pela primeira vez fora da Coreia do Sul. Aninhada entre montanhas arborizadas e planícies ondulantes, a cidade de Gyeongju, capital de Silla, continua a oferecer uma das paisagens mais singulares da Coreia do Sul. Pagodes, túmulos reais e vestígios monumentais dialogam com as linhas de uma cidade contemporânea atenta à preservação do seu património. O visitante caminha literalmente no coração da história, num espaço onde o passado permanece visível, habitado e transmitido.
Preço: De 0 a 15 euros.
Fonte: paris.fr — fotografia: Gyeongju National Museum
