A democracia assenta, antes de mais, na nossa capacidade de compreender o mundo que nos rodeia. Essa compreensão constrói-se graças a quem investiga, verifica, documenta e relata a realidade, por vezes onde os olhares se desviam, por vezes onde os poderes prefeririam que não olhássemos.
Num contexto marcado pela desinformação, pela manipulação da informação e pela desconfiança em relação aos meios de comunicação social, a reportagem continua a ser uma das formas mais exigentes do jornalismo. Ir para o terreno, conhecer pessoas, escutar, observar, confrontar os factos: gestos essenciais à vitalidade democrática. Criado em 1932 em homenagem ao grande repórter Albert Londres, o Prix Albert-Londres é a mais prestigiada distinção do jornalismo francófono. Todos os anos, distingue jovens jornalistas nas categorias de imprensa escrita, audiovisual e livro, cujo trabalho demonstra um elevado nível de investigação, independência e rigor. Albert Londres resumia assim a missão do jornalista: «A nossa profissão não é agradar, nem causar dano. É levar a pena à ferida.» O Théâtre de la Concorde orgulha-se de acolher a cerimónia de entrega do Prix Albert-Londres 2026. Embora a atribuição dos prémios de imprensa escrita, audiovisual e livro constitua o ponto central, esta noite tornou-se também, ao longo dos anos, um momento de reflexão e diálogo sobre o jornalismo, as suas práticas e a sua responsabilidade democrática. Jornalistas, repórteres no terreno, representantes de grandes encontros dedicados ao jornalismo e convidados vindos de França e de outros países reunir-se-ão para celebrar um jornalismo exigente, comprometido com os factos e a investigação, e recordar até que ponto a informação continua a ser um bem comum essencial à vida democrática. Uma noite para celebrar o jornalismo no terreno, a liberdade de informar e quem nos permite exercer um olhar crítico sobre o mundo.
Fonte: paris.fr — foto: Prix Albert Londres
