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Exposição « Bîranîn » (Memória): o Kurdistão através do olhar das jornalistas da Nesali. Fotografias, documentos e bastidores no terreno. Inauguração a 3 de setembro.
O projeto da exposição Bîranîn (« Memória » em curdo) é uma exposição fotográfica e documental concebida por Alice Moritz e Nesrine Cherifati, jornalistas e fundadoras do meio de comunicação independente Nesali. Resultado de três meses de reportagem no norte do Kurdistão (Bakur em curdo, situado no sudeste da Turquia), a exposição acompanha uma série de documentários e artigos dedicados à questão curda, publicados online. Reúne as memórias de um percurso e oferece uma perspetiva complementar às produções finais, revelando os bastidores do trabalho jornalístico: os encontros, as deslocações, as observações, as conversas, os momentos do quotidiano e os laços humanos que tornam possível a reportagem, enquadrando simultaneamente estas experiências na complexa realidade sociopolítica da região. A instalação organiza-se em torno de um mapa do Kurdistão que traça o nosso itinerário. Cada etapa do percurso está associada a uma seleção de fotografias que ilustram os locais atravessados, as pessoas encontradas e os temas explorados. Estas imagens dialogam com os documentários realizados no terreno, proporcionando ao público um percurso que liga espaços, narrativas e memórias. Captam momentos da vida por vezes banais para quem os vive, mas que moldaram a nossa compreensão do território. Ao partilhá-los, convidamos o visitante a percorrer estes fragmentos de memória e a descobrir as histórias que transportam. Estas imagens dialogam com os documentários realizados no terreno, que poderão ser vistos através de um código QR, proporcionando ao público um percurso interativo que liga reportagens e memórias do terreno. A exposição convida a uma imersão no Kurdistão contemporâneo através do olhar de duas jornalistas no terreno, onde cartografia, fotografia e documentário compõem uma memória sensível da viagem, dos encontros e das realidades vividas. Texto de apresentação Esta exposição nasceu de uma constatação simples: quando uma reportagem é publicada, grande parte da história desaparece. Durante três meses, percorremos o norte do Kurdistão para realizar uma série de documentários dedicados à questão curda: abordámos as lutas políticas e sociais, as transformações do território, as práticas culturais e as memórias que atravessam esta região. A partir da cidade de Van, situada a cerca de cem quilómetros da fronteira iraniana, trabalhámos também em vários temas relacionados com o Irão, nomeadamente a repressão exercida pelo regime e as suas consequências para as novas gerações. Por detrás de cada filme estão centenas de horas no terreno e quilómetros percorridos, mas também convites para partilhar um chá, noites em casa de habitantes locais, casamentos, conversas espontâneas e momentos de espera que nunca aparecem nas produções finais. É esta matéria invisível que alimenta e torna possível o trabalho jornalístico e que queremos valorizar através desta exposição. Bîranîn, que significa « Memória » em curdo, nasceu desta vontade de preservar os vestígios desses momentos. Cada fotografia capta um momento por vezes banal para quem o vive, mas que se tornou precioso no nosso próprio percurso. Estas imagens testemunham aquilo que se constrói entre duas entrevistas, numa curva da estrada, à volta de uma refeição ou numa simples conversa: uma relação, uma emoção, uma compreensão mais profunda de um território. As fotografias aqui apresentadas são, portanto, os vestígios dos nossos documentários. Mostram aquilo que escapa à montagem de vídeo: os encontros que abrem as portas de um território, os laços que se constroem ao longo das conversas, os momentos suspensos entre duas reportagens e a dimensão humana do jornalismo no terreno. Através de Bîranîn, partilhamos estes fragmentos de memória com o visitante. Cada imagem abre a porta a uma narrativa mais ampla, que pode ser aprofundada através dos documentários e das reportagens associados ao nosso itinerário. As fotografias tornam-se assim o ponto de entrada para uma narrativa mais vasta, na qual jornalismo, memória e território se complementam. Inauguração: música curda e dança — Atuação musical de Deza Amed, artista de música tradicional curda, seguida de uma atuação de dança de Juan-Golan Elibeg, bailarino, ator e ativista curdo. Uma noite de abertura dedicada à transmissão e à memória cultural. Data Quinta-feira, 3 de setembro de 2026 Horário Das 19h às 21h Preço Gratuito Como chegar? Maison de la Conversation 10-12 rue Maurice Grimaud, 75018 Paris Recomenda-se a utilização de transportes públicos Metro: linhas 4 (Porte de Clignancourt) ou 13 (Porte de Saint-Ouen) Elétrico: T3B, paragem Angélique Compoint – Porte de Montmartre Autocarro: linhas 60 e 95, paragem René Binet Instagram: @iciconversation Site: maisondelaconversation.org
Fonte: paris.fr — fotografia: Maison de la Conversation
