Que relação temos com o corpo, o nosso, o dos outros? Très chair corps explora este vínculo indissolúvel, complexo e ambíguo.
Desde o nosso nascimento, carregamos este traje de pele que é o nosso corpo. Colado à nossa carne, ele nos define, nos revela mas também nos prende. Do poder emancipador que podemos extrair dele até à prisão que pode revelar-se, este número de improviso explora as nossas relações íntimas e ambivalentes com o corpo. Cada representação de "Très chair corps" é um momento único, efémero e encantador. Com efeito, o espetáculo constrói-se em torno dos vossos testemunhos anónimos, pequenas anedotas registadas no nosso site. Dois deles são exibidos na introdução do espetáculo, sem que a atriz os tenha ouvido previamente, inspirando os pequenos números que se criam perante os vossos olhos. Em paralelo, a iluminação, a escolha da música e os vídeos projetados pelo diretor técnico são também improvisados. O dispositivo de videomapeamento confere uma dimensão imersiva e contemporânea ao espetáculo. A atriz trabalha poesia, humor, drama e horror para revelar as zonas de sombra da nossa corporalidade, tais como a transformação física, a dismorfofobia, a sexualidade, a doença, mas também a potência vital que nos mantém de pé. O espetáculo invoca os nossos monstres e os nossos fantasmas, questiona a norma e a deformidade…
Fonte: paris.fr — foto: DR
