Conhecida como The Queen-Mother of Gnarly, Cheryl Marie Wade (1948–2013) construiu uma obra que combina poemas, espetáculos a solo e canções. A sua prática nasceu em grupos de partilha entre mulheres, antes de assumir a forma de espetáculos apresentados perante um público cada vez mais numeroso. Mais tarde, quando o seu estado de saúde deixou de lhe permitir subir ao palco, as suas performances passaram a ser divulgadas em cassetes VHS vendidas por correspondência.
No seio de uma cena de artistas com deficiência que se desenvolveu em Berkeley, na Califórnia, no final da década de 1970, Cheryl Marie Wade e outras pessoas apropriaram-se do insulto crip ple para formar a palavra crip. Em conjunto, dissociaram a deficiência do discurso médico para a afirmarem como uma experiência sensível e partilhada do mundo. No âmbito de um documentário destinado à televisão francesa, a realizadora e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência Diane Maroger conheceu Cheryl Marie Wade, reuniu os seus poemas e viajou repetidamente até Berkeley no início dos anos 2000. Deste trabalho resultaram dezenas de horas de filmagens que documentam a comunidade handix na Califórnia, antes de o produtor abandonar o projeto por falta de um canal de difusão. Vinte e cinco anos mais tarde, esta exposição transforma-se numa sala de montagem onde é possível ver as performances e entrevistas de Cheryl Marie Wade, cuja obra permanecera até então à margem do mundo da arte. Estas imagens são colocadas em diálogo com obras de artistas contemporâneos que mantêm ligações diretas ou metafóricas com a cena crip de Berkeley. As associações que daí resultam são simultaneamente esboços de possíveis filmes e reflexões sobre aquilo que faz com que certas obras possam, ou não, ser-nos inacessíveis.
Preço: De 0 a 13 euros.
Fonte: paris.fr — fotografia: Sylvia Calle
