No âmbito do evento principal do Automne de la Science, uma palestra sobre arte de Valérie Mettais acerca da relação entre a natureza e os pintores
«A invenção da natureza»: eis uma expressão curiosa para designar a prática dos pintores que, no Ocidente, a partir do Renascimento, lançam um novo olhar sobre o mundo. Retratam as suas paisagens, estudam os seus efeitos atmosféricos, observam os animais e descrevem as plantas, elaboram perspetivas, reproduzem as formas e as cores, as luzes e as sombras… Acima de tudo, colocam o ser humano no centro do universo, fazendo dele aquele que contempla o espetáculo da natureza assim encenado. Enquadram e reenquadram, escolhem pontos de vista «pitorescos» e procuram criar a ilusão da realidade — na mesma época, cientistas, navegadores, comerciantes e traficantes de escravos medem, exploram e tiram partido dos «recursos» dessa natureza. E, embora estes pintores se tornem naturalistas ou caminhantes para celebrar a beleza do mundo, contam também a história humana, mítica, conquistadora ou trágica, presente em toda a parte, à vista de todos ou enterrada no coração das paisagens. O que têm, então, os artistas de ontem e também de hoje para nos mostrar e ensinar sobre esta natureza que não seja nem cenário, nem ambiente, nem uma extensão de nós próprios? Historiadora de arte, Valérie Mettais é autora de várias obras sobre pintura e dá palestras em bibliotecas.
Fonte: paris.fr — fotografia: "Vue de Bozen avec un peintre" (1837), de Jules Coignet (Paris 1798 – 1860 Paris)
