"A janela está no centro da minha pintura, limiar frágil entre meu mundo interior e a agitação da cidade. Ela é ao mesmo tempo abertura e fronteira, local de observação e espaço de devaneio….
… Através dela, capto as variações da luz, a passagem das horas e das estações, os jogos de transparência e reflexos que perturbam os limites entre o interior e o exterior. Pouco a pouco, meu olhar se refina. A janela torna-se um elo, um espaço de ressonância entre dois mundos, às vezes opostos, às vezes confundidos. O dia e a noite invertem seus papéis, a luz natural cede à luz artificial, os pontos de referência desaparecem. Depois o quadro desaparece também. Meu olhar se perde na noite urbana, entre as janelas distantes, esses fragmentos de luz suspensos na escuridão onde se adivinham vidas silenciosas, intimidades secretas. Minha pintura explora esse espaço incerto. De minha janela para a dos outros, persigo uma mesma busca: captar esse instante em que o visível encontra o imaginário, em que a luz revela tanto quanto dissimula, em que a sombra desenha a luz, em que o exterior torna-se, por sua vez, o espelho do meu mundo interior. entrada livre, nos horários de abertura da biblioteca.
Fonte: paris.fr — foto: ©Patricia Béglet
