Conduzir em França não é apenas dominar o veículo: é também cuidar de si próprio e dos outros utilizadores. Eis o essencial a saber sobre o seu estado ao volante e sobre a partilha da estrada, explicado de forma simples.
O álcool ao volante
O álcool continua a ser a principal causa de mortalidade nas estradas francesas. A regra é rigorosa e quantificada.
- Para um condutor experiente, a taxa máxima autorizada é de 0,5 g/L de sangue, ou seja, 0,25 mg/L de ar expirado.
- Para um condutor com licença de condução em período experimental (jovem condutor ou condução acompanhada), o limite desce para 0,2 g/L de sangue, isto é, uma taxa quase nula. A licença em período experimental dura 3 anos, ou 2 anos em caso de condução acompanhada.
As sanções aumentam consoante a taxa:
- Entre 0,5 e 0,8 g/L, trata-se de uma contraordenação: perda de 6 pontos e multa.
- A partir de 0,8 g/L, torna-se um crime, com penas muito mais graves (multa, suspensão, e até prisão).
A única forma fiável de baixar abaixo do limiar é o tempo: nem café, nem duche frio, nem ar fresco aceleram a eliminação do álcool.
Os estupefacientes
A condução após consumo de estupefacientes é um crime, independentemente da quantidade consumida e mesmo várias horas depois. A lei não estabelece qualquer limiar de tolerância: a simples presença de droga no organismo é suficiente.
As sanções são severas (artigo L235-1 do Código da Estrada):
- até 9 000 € de multa e 2 anos de prisão;
- perda de 6 pontos na carta de condução;
- possível suspensão ou anulação da carta de condução.
Se a condução envolver álcool e estupefacientes, as penas sobem até 3 anos de prisão e 9 000 € de multa. Os controlos, por recolha salivar e depois sanguínea, são frequentes.
A fadiga e os medicamentos
O estado do condutor não se limita ao álcool. A fadiga reduz os reflexos tanto como o consumo de álcool.
- Faça uma pausa a cada 2 horas, especialmente em viagens longas.
- Tenha cuidado com os medicamentos que apresentam um pictograma de vigilância (triângulo colorido na caixa): alguns proíbem pura e simplesmente a condução. Leia o folheto informativo ou peça conselho ao seu farmacêutico.
Ao mínimo sinal de sonolência (bocejos, pálpebras pesadas, linhas brancas hipnóticas), pare: uma micro-sesta de 15 a 20 minutos pode salvar vidas.
Os peões
O peão é o utilizador mais vulnerável. A regra é clara:
- Deve ceder a passagem a qualquer peão envolvido na via pública, ou que manifeste claramente a intenção de atravessar, numa passagem protegida ou nas suas imediações.
- Concretamente: reduza a velocidade e pare para o deixar passar.
Seja particularmente atento perto de escolas, paragens de autocarro e em zonas onde a visibilidade é reduzida. As crianças e as pessoas idosas podem atravessar de forma imprevisível.
Os ciclistas e as motociclas
A bicicleta tem o seu lugar na estrada, e ultrapassá-la exige margem.
- Ao ultrapassar um ciclista, deixe pelo menos 1 metro em zona urbana e 1,50 metros fora de zona urbana.
- Se não houver espaço para respeitar esta distância, aguarde atrás do ciclista.
A mesma prudência aplica-se às motociclas, mais rápidas e menos visíveis do que se pensa: verifique bem os seus ângulos mortos antes de mudar de faixa.
Duas situações impõem uma vigilância reforçada:
- Os autocarros escolares: reduza a velocidade e mantenha-se prudente na paragem, pois as crianças podem surgir à frente ou atrás do veículo.
- Os veículos prioritários (bombeiros, SAMU, polícia, gendarmaria) com sirene e luz rotativa: deve afastar-se e parar para lhes ceder a passagem.
Em caso de acidente: os bons gestos
Perante um acidente, tenha em mente a ordem PAS:
- Proteger: sinalize a zona (colete, triângulo, luzes de alerta) para evitar um acidente secundário, ou seja, um segundo acidente que agrave a situação.
- Alertar: chame os socorros.
- Socorrer: preste assistência dentro das suas competências.
Os números de emergência a conhecer:
- 15: o SAMU (urgências médicas);
- 18: os bombeiros;
- 112: o número de emergência europeu, válido em toda a União.
Regra de ouro: nunca mova uma vítima, salvo em caso de perigo imediato (risco de acidente secundário, incêndio, explosão). Um gesto errado pode agravar uma lesão, nomeadamente na coluna vertebral.
A reter
- Álcool: máximo de 0,5 g/L (0,2 g/L em licença experimental); crime a partir de 0,8 g/L.
- Estupefacientes: crime punido com até 9 000 € de multa e 2 anos de prisão, sem qualquer limiar de tolerância.
- Pausa a cada 2 horas e vigilância com medicamentos que tenham pictograma.
- Peões: pára-se para quem atravessa ou se envolve na via; ciclistas: 1 m na cidade, 1,50 m fora da cidade.
- Veículos prioritários: afasta-se e para-se.
- Acidente: gesto PAS (Proteger, Alertar, Socorrer), números 15 / 18 / 112, e não se move a vítima salvo perigo imediato.
